#5 perguntas que ajudam você a tomar decisões difíceis

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Posso afirmar, com absoluta certeza, que é praticamente impossível passarmos pela vida sem um momento em que foi necessário tomar uma decisão difícil, que nos deixou em dúvida ou, simplesmente, com medo. Tanto no amor, trabalho, família – relacionamentos pessoais ou profissionais – tomar decisões difíceis é sempre um desafio, muitas vezes desgastante.

É certo que aprendemos com nossos erros e uma decisão mal tomada, pode servir de fonte para um valioso aprendizado, dependendo de como encaramos os resultados. Faz parte da vida cometer erros. Entretanto, há decisões que podem causar danos irreparáveis ou, pelo menos, levar nossas vidas à caminhos tortuosos.

Diante das opções disponíveis, dependendo da gravidade e importância do assunto, ficamos indecisos e até paralisados. Não sabemos para onde ir. Às vezes, pedimos opinião de alguém em que confiamos, que pode até se esquivar, para não arcar com uma parcela de responsabilidade. Ou pode dar sua opinião sincera, que é adequada em seu ponto de vista, mas nem sempre serve para nós. Entretanto, por desespero ou preguiça, resolvemos segui-la mesmo assim, com a plena certeza de que não há outra alternativa. Muitas vezes, nos arrependemos amargamente e ainda culpamos os outros.

O que podemos fazer para avaliarmos todos os pontos de forma eficiente e tomarmos as decisões mais assertivas possíveis, mesmo causando um certo nível de dor?

Segundo artigo A Decisão Certa, publicado na edição 195 da Revista Superinteressante, tomar uma decisão envolve uma disputa com 3 participantes – dois deles (instinto e experiência) cuidam do seu presente, o outro (a razão) pensa no seu futuro. Por isso, diante de uma encruzilhada, o melhor é tentar organizar essa briga.

Existem perguntas chaves, que nos auxiliam nas buscas de alternativas viáveis. Como já foi dito por vários especialistas (incluindo Anthony Robbins), nosso cérebro procura, basicamente, duas coisas: se aproximar do prazer e se afastar da dor. Baseado nisso, ele nos leva a tomar todas as decisões como dormir até mais tarde, largar o emprego, mudar de cidade, tomar um milk shake ou encerrar um relacionamento.

A dor ou o prazer que vamos sentir, será a bússola que irá nos aproximar ou nos afastar de determinados caminhos. Mas é muito importante lembrar que escolher os caminhos que trazem prazer e evitar os que causam dor, nem sempre é uma estratégia que nos leva a bons resultados. Poderia listar centenas de exemplos que comprovem essa afirmação, mas vamos ficar apenas em um.

Sujeito tem que tomar uma decisão entre ficar na frente da TV comendo salgadinhos (prazer) e fazer um exercício físico (dor). Precisa enumerar as consequências desta escolha?

Dificuldade de tomar decisão
O processo de tomar decisões implica em se aproximar do prazer e se afastar da dor

Sabendo que os caminhos que levam à dor nem sempre são os piores, e os que levam ao prazer, nem sempre são os mais adequados, responda as seguintes perguntas, com toda a sinceridade que for capaz, quando estiver diante de uma decisão difícil.

Para ficar mais fácil o entendimento, vamos exemplificar com uma situação hipotética, porém muito comum, de um pai de família, que odeia o emprego, mas tem muitas despesas e contas a pagar. A decisão está entre deixar o trabalho atual e iniciar um negócio próprio, em uma atividade que lhe dá prazer, além da possibilidade de uma boa renda.

1 – O que eu quero, de verdade?

Quero largar aquela porcaria de emprego que eu detesto, que me consome tempo e energia, que me afasta da minha família, para abrir uma livraria café em uma área elegante da cidade.

2 – O que pior pode acontecer no futuro, se eu não fizer isso?

Posso continuar no meu emprego, lidando com uma burocracia irritante, com chefe incompetente, com pessoas que puxam o tapete uma das outras e com uma jornada de trabalho que me impede de fazer as coisas que gosto.

3 – O que pior pode acontecer no futuro, se eu fizer isso?

Perder o meu salário mensal. É possível que eu tenha dificuldades financeiras, que não possa pagar o aluguel, tenha que mudar para uma casa menor, trocar as crianças de escola, vender meu carro e passar a usar transporte público, pelo menos por um tempo.

4 – O que melhor pode acontecer no futuro, se eu não fizer isso?

Bom, talvez eu possa me habituar à rotina de trabalho, me organizar para ser mais produtivo e não passar muito tempo na firma. Posso me aproximar mais das pessoas e fazer alguns amigos. Também posso tentar ajudar o meu chefe, no que diz respeito às competências que eu acho que ele não tem.

5 – O que melhor pode acontecer no futuro, se eu fizer isso?

Vou realizar um sonho que tenho há muito tempo. Vou adorar estar em um ambiente cercado de livros, frequentado por pessoas interessantes e cultas, com aroma revigorante de café no ar. Com certeza, farei muitos amigos, que além de clientes, podem me ajudar a encontrar novas possibilidades profissionais, como escrever um livro ou fazer palestras motivacionais, para pessoas que buscam um sonho, mas têm medo de avançar.

Você já viu sua imagem refletida em um espelho sujo? Concorda que mesmo nesta condição, foi possível pentear o cabelo, fazer a barba, se maquiar, se admirar (puxa, estou linda hoje!), se aborrecer (arre, estou um lixo!), e tantas outras coisas que fazemos quando estamos diante deste artefato, muito utilizado para fortalecer nossas crenças em relação à nossa aparência?

E o que acontece quando você faz uma boa limpeza no espelho? A imagem fica mais clara e nítida. O que era belo, ficou mais belo ainda (uau, estou divina) e o que era feio, bom, não melhorou em nada (é, meu filho, nem o Pitanguy daria jeito nesta tua cara de frango descongelado).

Decisões difíceis
Nem sempre enxergamos o que precisamos ver

Tal qual é a percepção de sua imagem no espelho limpo, assim é a visualização das condições necessárias para se chagar a uma conclusão. Quando fazemos as perguntas certas e as respondemos com sinceridade e coerência, estamos limpando o espelho. Naturalmente, a decisão final vai levar em conta os diversos aspectos de cada pessoa (valores, prioridades, princípios, etc.), mas estará embasada nas informações que possibilitam seguir o caminho que esteja mais próximo da condição ideal.

Antes de finalizar, dois pontos importantes:

1 – Nossa mente nos prega peças. Nem sempre a condição ideal (a que desejamos) é a que, de fato, nos trará benefícios e satisfação à médio e longo prazo. É preciso que o objetivo esteja claro em todos os seus aspectos. Sugestão: procure um Coach e faça algumas sessões. Este profissional tem as ferramentas ideais para lhe auxiliar a encontrar elementos que vão sustentar (ou não), no caminho que deseja seguir.

2 – Evite pedir opiniões a terceiros, principalmente se a decisão afetar outras pessoas. No máximo, levante as possibilidades com a sua família. Lembre-se que a perspectiva nunca será a mesma e o que é a melhor alternativa para outros, pode não ser para você.

Tenha a plena consciência que você já tem a resposta. Basta acessar recursos que vão deixá-la evidente em sua mente. Nítida e clara, como a imagem em um espelho limpo.

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