Como exercitar a habilidade de pensar antes de agir e reduzir o risco de tomar decisões precipitadas

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O ser humano tem uma certa tendência de elaborar julgamentos e condenações mentais sem ter dados suficientes e consistentes, tomando ou impondo decisões impensadas, infundadas e injustas.

Alguns consideram tais atitudes como naturais. Pode até ser algo inerente da espécie, mas isso não quer dizer que sejam adequadas para quem busca uma existência harmoniosa.

Agindo sem pensar, baseados em conclusões precipitadas, podemos gerar uma série de aborrecimentos e até fatalidades que nem o arrependimento mais profundo e sincero poderá corrigir.

Vamos usar um exemplo musical para explanar o assunto.

Na letra da canção Dona do Meu Coração, gravada pelo grupo Renato e Seus Blue Caps  – uma versão de Run For Your Life, dos Beatles – o rapaz vê a namorada saindo com outro sujeito e ficou muito aborrecido.

Foi para casa e se desmanchou em sofrimento, achando que tudo que havia feito em prol do relacionamento foi em vão, com a certeza que havia perdido seu amor para sempre.

Provavelmente, não dormiu à noite, pensando como seria a vida dali em diante, sem sua amada. A essa altura, sua mente já havia criado um filme com pormenores da infidelidade que sofrera.

Entretanto, no dia seguinte, a namorada telefonou para esclarecer que o tal rapaz era seu irmão. E ainda pediu perdão, mesmo não tendo feito nada de errado (típico do machismo dos anos 60). Dá até para imaginar a expressão sem graça do apressadinho quando soube da verdade.

ré,ré,ré. Puxa, desculpa. Foi mal. Pensei errado
ré,ré,ré. Puxa, desculpa. Foi mal. Pensei errado

Moral da história: nem tudo que parece, é!

A canção é um pequeno exemplo de situações das quais tiramos conclusões precipitadas, sem analisamos ou buscarmos os fatos relevantes que esclareçam todos os pontos. Para uma música gravada nos inocentes anos 60, o final coerente foi do rapaz sofrendo pelo amor perdido.

Na prática, considerando o cenário dos dias atuais, o fim poderia ser outro. Aliás, é muito comum pessoas perderem a vida por motivos insignificantes, como o retratado na canção.

Infelizmente, tiramos conclusões que nos levam a agir sem pensar claramente, baseados apenas no superficial, no achismo.

Em um tribunal físico, durante um julgamento formal, os advogados de defesa e de acusação expõem as evidências, provas, testemunhas e considerações para que um júri tome a decisão em relação ao réu.

Apesar de tudo ser analisado e ponderado, ainda assim acontecem erros e vereditos injustos. Nos EUA, por exemplo, nas cidades que adotam (e adotaram no passado) a pena capital, muita gente já foi executada e inocentada posteriormente.

Fora do controlado ambiente jurídico, as possibilidades de erros de julgamento são infinitas.

em nossa mente, nós julgamos e condenamos
em nossa mente, nós julgamos e condenamos

Por falta de uma visão ampla, de equilíbrio emocional ou de um mínimo bom senso, acusamos, julgamos e condenamos pessoas, grupos, classes sociais e até raças de uma forma totalmente absurda, baseados em superficialidades, geralmente promulgadas nas mídias ou mesmo nas conversas de corredor, durante o cafezinho.

Pode parecer exagero, mas situações desta natureza acontecem em nossas vidas de uma forma assustadora e, para piorar, nem percebemos.

A vítima pode ser um colega, um vizinho, um parente, um conhecido que mora no interior ou mesmo uma celebridade.

Abrimos nosso implacável tribunal mental muito facilmente.

O Juiz é representado pelas nossas convicções, o júri é composto por nossas certezas e o advogado de acusação é personificação de nossa inconsciência. E o réu que se vire para se defender.

Como evitar conclusões precipitadas

Se você acredita na justiça – ou, pelo menos, deseja acreditar – aprenda a ser justo também.

Quando um fato lhe for apresentado, procure não tomar partido de A ou B (se for esse o caso). Não tome decisões ou atitudes sem conhecer os dois lados da moeda, quando possível.

Não se precipite em julgar o que você não conhece. Ter opinião é uma coisa. Acusar e condenar sem conhecer os detalhes é bem diferente.  Muita gente lamenta das circunstâncias em que atiraram antes e perguntaram depois. Não caia nesta armadilha.

Se você perceber que seu tribunal mental foi aberto, faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  • Isso é um fato ou uma suposição?
  • Se for um fato, que evidências concretas existem?
  • Se for suposição, porque eu deveria perder tempo com isso?

Ao responder de forma sincera e coerente, é possível que você enxergue alternativas que não seriam percebidas se apenas pensasse e agisse de forma instintiva e mecânica.

mente clara, decisões coerentes
mente clara, decisões coerentes

A chave da porta do seu tribunal mental deve estar com você. Não entregue a terceiros.

E é conveniente mencionar que sempre que estas portas forem abertas para um possível julgamento, não podemos esquecer que todos têm o direito à defesa, inclusive nós mesmo.

Afinal, hoje podemos ser um juiz sem piedade, mas amanhã nada impede de nos transformamos em um réu indefeso, clamando por justiça.

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