Ansiedade e depressão: como eliminá-las sem terapia e sem remédios

Tempo de leitura: 7 minutos

O milionário segmento de medicamentos tem várias galinhas dos ovos de ouro. Duas delas, no entanto, estão entre as mais rechonchudas do galinheiro. Me refiro às drogas que auxiliam o tratamento da ansiedade e depressão, enfermidades devastadoras que vêm ganhando força nas grandes metrópoles, especialmente nas últimas décadas.

São bilhões de dólares que vão para os cofres dos grandes laboratórios porque o homem moderno está deprimido pelo que aconteceu no passado ou ansioso pelo que o futuro pode lhe reservar.

O irônico de tudo isso é saber que todo sofrimento é em vão, já que em ambos os casos, nada pode ser feito. Geralmente, as drogas combatem os efeitos e não as causas.

As ocorrências do passado não podem ser mudadas e as do futuro não podem ser antecipadas com precisão.

Fora do ambiente de filmes de ficção cientifica, ainda não inventaram a máquina do tempo. Então, o que passou, não pode ser alterado. Já foi!!

 

Por enquanto, somente na ficção é possível voltar no tempo.
Por enquanto, somente na ficção é possível voltar no tempo.

Em relação ao futuro, é importante entender que muitas das preocupações que são cultivadas em nossa mente nem chegam a manifestar-se no mundo físico. Como já disse o sábio Sêneca, o homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais que o necessário.

Apesar de estarmos cientes da impossibilidade de voltar ou avançar no tempo, insistimos nestas estratégias e, como resultado, somos brindados com doenças mentais e físicas, da depressão e tristeza profunda até a úlcera, pânico, etc. Os efeitos são inúmeros e variados. Tem para todos os gostos.

Não vamos tapar o sol com a peneira. É claro que a vida nos coloca situações que precisamos tratar. Isso é inevitável. Como diria Humberto Gessinger, problemas sempre existiram, sempre existirão. A questão não é essa.

O que atrapalha o percurso da jornada é a nossa incrível capacidade de potencializar problemas, mesmo àqueles de simples solução*. Em contrapartida, somos incompetentes no que se refere a focalizar nossos pensamentos no presente, no aqui e agora.

*atenção: solução simples nem sempre significa solução fácil

A chave para entender esse mecanismo está na maneira como encaramos os diversos eventos em nossa mente. A partir da forma como interpretamos e internalizamos as coisas, surgem as ações, reações e consequências.

Há milênios existe uma técnica absurdamente eficaz, ensinada por muitos mestres e sábios, que pode (e deve) ser utilizada para desenvolvermos a sabedoria de enfrentar qualquer situação ruim em nossas vidas. Trata-se de viver o presente.

Salvo aqueles que sofreram alguma espécie de trauma na primeira fase da vida, quase todos nós sentimos saudades da infância. Foi o período em que o alto astral era uma constante. Predominava a leveza das brincadeiras, do sorriso espontâneo.

Não havia preocupação em errar e nossos olhos sempre brilhavam em sua constante e insaciável curiosidade. Preconceitos, vergonha, medo e outros tantos sentimentos limitantes que adquirimos ao longo dos anos, simplesmente não existiam.

que tempo bom que não volta mais
que tempo bom que não volta mais

O que perdemos quando deixamos esse período mágico da existência? Você poderia citar a pureza, mas eu me atrevo de usar a palavra sabedoria.

Nós desaprendemos a viver quando aprendemos conceitos, expectativas e regras ensinadas pela família, escola, sociedade, religião, cultura, etc.

Conforme o tempo passa, vamos assimilando os elementos que nos levam cultivar a preocupação com o futuro incerto, desenvolvendo em nossa psique, monstros mais assustadores que o bicho-papão. E eles têm nome: medo, angústia, ansiedade, insegurança, dentre outros.

Passamos a sentir saudades daquele tempo bom da infância quando percebemos, mesmo inconscientemente, que não temos mais a paz de outrora. Somos adultos e precisamos lutar para viver.

Independente da crença religiosa (ou da ausência dela), quem não conhece a famosa frase de Jesus de Nazaré, relatada nas sagradas escrituras, em que afirma com categoria?

Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas (Mateus, 19,14 – Nova versão internacional).

Em outras palavras, o reino dos céus (paz, harmonia, alegria, felicidade) não é exclusividade das crianças, cronologicamente falando. Podemos alcançá-lo, desde que resgatemos a sabedoria que tínhamos na infância.

Sábio feito uma criança?

Aqui está a grande sacada: uma criança se preocupa com o futuro desconhecido ou se deprime com um passado imutável?

Pare um instante e examine seus pensamentos mais constantes. O que passa pela sua cabeça na maior parte do tempo? Medo ou arrependimento? Frustração ou ansiedade? Preocupação ou rancor?

Para qualquer resposta, a conclusão é a mesma: não sabemos viver o presente.

Somos assombrados pelos fantasmas do passado e do futuro, tal qual o velho Ebenezer Scrooge, personagem do livro Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Nesta brilhante obra literária, a rabugento Scrooge ganhou uma nova chance. Na vida prática, raramente temos essa dádiva.

somos assombrados pelos fantasmas do passado e do futuro
somos assombrados pelos fantasmas do passado e do futuro

Viver o presente é a chave para evitar muitas dores. Mas como se faz isso?

Siga alguns princípios básicos: preste atenção verdadeiramente no que faz, se observe, sinta seu corpo (respiração, olfato, tato, paladar, visão). Volte correndo para o presente quando os fantasmas do passado ou futuro lhe assombrarem. Saiba que você está onde está. Repita, com a mais sincera convicção: eu estou aqui!!


É simples? Sim. É fácil? Nem sempre.

No entanto, é bom que se saiba que tal prática mental é como um exercício muscular. A repetição traz o fortalecimento. Se hoje é difícil dar atenção ao momento, ao presente, com a prática e o hábito (o segredo para o sucesso em qualquer coisa), o que era complicado passa a ser natural.

Sempre que puder, lembre-se das perguntas e respostas abaixo, que pego emprestadas do Master Coach Rogério Martins, mentor da Academia Brasileira de Coach.
Onde você está? AQUI

Que horas são? AGORA

O que você é? ESTE MOMENTO

O momento presente é exatamente o que temos em mãos. Nada mais, nada menos.

Ao cristalizar esse conceito na mente, você vai se surpreender com os resultados.

O passado não vai lhe deprimir, porque o passado não vence o presente.

O futuro não vai lhe oprimir, por que o futuro não vence o presente.

Os acontecimentos do dia a dia não vão lhe afetar como antes, justamente porque você está presente, tem o controle e saberá reagir de uma forma sábia em qualquer circunstância.

Depois desta explanação, fica fácil entender porque o momento atual é o que temos de mais poderoso e precioso. Não é à toa que se chama presente.

 
Leitura complementar: para entender mais a fundo sobre os benefícios de viver o presente, leia O Poder do Agora, do escritor alemão Eckhart Tolle

Nota: parte da inspiração deste texto vei da canção Fico com o Presente, composição de Eliakin Rufino e Euterpe, gravada pela cantora roraimense Euterpe, no álbum Batida Brasileira 2.

2 Comentários


    1. Bondade sua, Susanne. Mas fico feliz em ter te ajudado de alguma forma. Você é um ser iluminado.

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