Entenda porque sua mente é um depósito de lixo e o que se pode fazer para virar o jogo.

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Na canção Comida, um dos clássicos inseridos no aclamado disco Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, quarto disco dos Titãs, Arnaldo Antunes pergunta insistentemente: você tem sede de que? você tem fome de que? O funk pesado, além da batida contagiante, coloca uma questão em nossas mentes. O que, realmente, queremos alcançar em nossas breves vidas, neste planeta?

Sem pensar muito, responda as seguintes perguntas:

1 – Você abasteceria seu carro em um ponto onde o preço da gasolina é mais em conta, mas que existe uma enorme possibilidade do combustível ser adulterado?

2 – Você iria almoçar no restaurante mundialmente conhecido como “caga sangue”, onde reinam as moscas de várias espécies e tamanhos, e a higiene é uma palavra totalmente desconhecida pelos proprietários?

Será que vou comer no caga sangue?

Se a resposta for SIM para qualquer uma delas, muito obrigado pela sua atenção. Não precisa continuar a leitura, até porque acredito que você não entenderia o desenvolvimento do raciocínio.

No entanto, se a resposta for NÃO para ambas, estamos de acordo. Podemos prosseguir.

Não seria inteligente de nossa parte alimentar nosso corpo ou nosso veículo com produtos de baixa qualidade, que poderiam facilmente acarretar uma série de prejuízos e comprometer nossa saúde (financeira e física), concorda? Questão de bom senso!

 Agora a pergunta que vele Um Milhão de Dólares!!

 Se você quer melhorar como pessoa ou profissional, se quer alcançar um determinado objetivo na vida ou na carreira, que espécie de conteúdo você alimenta a sua mente para chegar onde pretende?

 Opa!! Pirou o cabeção?

Humm, deixe-me pensar.

É fato que a maioria dos seres humanos almeja um “algo a mais” na vida pessoal e/ou profissional, mas não presta atenção no combustível que, comumente, abastece a própria mente.

 Não precisa ser um gênio da observação para perceber que consumimos doses cavalares de lixo cibernético e/ou televisivo, que são processadas e devolvidas em forma de (adivinhe) lixo reciclado para o nosso universo pessoal, cada vez mais limitado.

 E a variedade de porcaria é enorme. Está na internet, na televisão, no jornal, nas revistas, na reunião informal com os amigos, no almoço dominical com a família. Enfim, em quase tudo que nos cerca.

 Algumas pequenas bobagens do cotidiano são inevitáveis. Vamos assimilar uma ou outra. Estão no ambiente familiar, profissional e nos círculos de amizade. Em pequenas quantidades, devidamente descartadas, são inofensivas.

Onde mora o perigo? 

 O perigo mora nas bobagens que vamos buscar, deliberadamente, e que consumimos sem moderação, durante horas a fio, com a desculpa (esfarrapada) de que se trata de distração inofensiva. Ledo engano.

 É exatamente esse lixo que vai acumulando em nossas mentes, deixando as “engrenagens rangendo”, com dificuldade de movimentação e comunicação.

Me deixe em paz na minha lixeira

 Com o passar do tempo, surge uma espécie de preguiça intelectual, que se manifesta só de mencionar algo mais complexo. Sujeito já sente dor de cabeça e corre para tomar um analgésico, dizendo que é “problema de vista”. Na verdade, ele está “desacostumando” a pensar.


Porcaria vicia

Em tempos de facilidade de acesso, consumir porcaria se tornou rotina, um hábito aparentemente inofensivo, apesar de nocivo em médio prazo. Alguns lixos são até patrocinados, considerando a quantidade de possíveis consumidores existentes.

 É como fumar, consumir carne vermelha ou bebidas alcoólicas. Não se percebe o impacto de imediato.

 Claro que não precisa ser tão rígido. Não teria problema incluir – eventualmente – um lixinho ou outro em nosso cardápio mental. É como beber uma cachacinha socialmente.

 O problema é ficar dependente, sem controle. E, justamente por ser algo aceitável no mundo contemporâneo, é mais difícil de perceber. Afinal, todo mundo faz a mesma coisa.

Calma. Está tudo sob controle!

 Pense em: o que você espera obter consumindo o conteúdo que está habituado? Qual seu objetivo? Este conteúdo vai ajudar a chegar lá?

Tudo é uma questão de estímulo constante

 As pessoas, quando assistem a uma palestra estimulante, um sermão inspirador, um filme ou peça que levem à reflexão, deixam o local inundadas de adrenalina mental.

 Em palestras, por exemplo, se for posto à venda algum livro que trate do assunto abordado, formam-se filas para adquirir a obra.

 Nas igrejas, após comoventes mensagens que pregam amor pela humanidade, as pessoas saem dos templos abraçadas umas as outras, até com lágrimas nos olhos. No dia seguinte, todo aquele entusiasmo escoou pelos bueiros da indiferença.

 Isso acontece porque nossa mente precisa de estímulos constantes para manter o nível de entusiasmo. Se interrompermos os estímulos, a tendência é esmorecer.  Surgem então a preguiça mental e o desânimo. Se não usa, atrofia.

 E nesse momento, surge aquela vontade de consumir um lixinho.

Vou só dar uma olhadinha rápida

Que diabos eu posso fazer para não me tornar um acéfalo?

 Que tal se isolar em uma montanha e virar um ermitão? Calma, é brincadeirinha. Não precisa chegar a tanto.

 Entenda que a mesma internet, televisão e publicações impressas, onde nos deparamos com uma infinidade de porcaria, também podemos encontrar excelentes conteúdos, fontes de estímulo mental, de informação e de educação. Basta aprender a procurar.

 A decisão de consumir o que é relevante nestes meios (digitais ou não) pode ser tão difícil quanto para uma pessoa em dieta, que se vê diante de uma salada de palmito e um brigadeiro.

Mesmo sabendo qual seria a decisão mais coerente para seu objetivo, sempre vai surgir a emoção, que por sua vez leva à hesitação e, consequentemente, à decisão inadequada. É preciso ser forte nestes momentos.

Eu escolho o que preciso ou o que quero?

O mesmo cuidado que devemos ter para a conservação de nossos veículos e de nossos corpos físicos, também deve existir com a saúde da mente.

 É nela que tudo começa. Se bem alimentada, ela se torna peça fundamental para alcançarmos o que almejamos em nossas vidas.

 Lembre-se: o cérebro é um músculo que precisa ser exercitado.

 Dica: que tal desligar o telefone celular ou a televisão por uma hora, diariamente, para ler um livro? Não consegue? Claro que consegue. Tal qual o exercício físico, vai doer no início, mas vai ser tornar muito prazeroso em pouco tempo. Experimente.

 E para fechar, outro ponto de fundamental importância:  tente se aproximar de pessoas que vão lhe empurrar para cima e fortalecer suas convicções. Lembre-se sempre que somos a média das pessoas com quem convivemos.

 

 

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