Marco Antonio Malagolli, o homem que todo beatlemaniaco inveja e admira

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Não importa o quanto o tempo passe. Os Beatles sempre serão referencia para todos aqueles que gostam de música. Se McCartney vier ao Brasil zilhões de vezes, zilhões de vezes ele enche os estádios em que se apresenta. E em todos os shows, tenha certeza que um cara chamado Marco Antonio Malagoli vai estar presente.

A gurizada da atual geração tem descoberto a mágica da obra os ingleses e vai levar essa influência para as gerações futuras, assim como nós, os dinossauros do rock, já o fizemos há tempos.

Pensando nisso, resgatei uma entrevista que tive a honra de fazer – há uma década – com o cara que, talvez, seja o beatlemaniaco mas maníaco de todos.

Vamos lá?

 

Todo mundo, em algum momento da vida, cultivou admiração por uma ou mais pessoas. Podem ser artistas (incluindo qualquer forma de arte), professores, atletas, parentes ou até a si mesmo. Tem gente discreta, que se mantêm a distância e respeita a privacidade de seu ídolo. Já outras atacam literalmente, na intenção de levar consigo alguma parte do pobre coitado, nem que seja um chumaço de cabelo.

Já outras pessoas dedicam seu tempo a divulgar a manter viva a historia de seus ídolos. É o caso do nosso entrevistado e, por isso, considero Marco Antonio Malagolli, presidente do fã-clube Revolution, uma pessoa a qual tenho profunda admiração.

São quase quatro décadas de trabalho dedicado aos Beatles, também a banda predileta deste humilde escriba. Neste tempo, o cara realizou sonho de dez entre dez fãs dos rapazes de Liverpool. Conheceu-os pessoalmente e até fez amizade.

Lembro bem quando eu li uma revista lançada no início dos anos 80 e editada por ele, pouco depois da morte de John Lennon, na qual mostrava uma quantidade de discos inéditos do quarteto que pouca gente tinha acesso e que era apenas uma amostra pequena do que continha no seu acervo.

Para quem só tinha o catálogo oficial e minguado de EMI, era uma tortura. Confesso que eu morria de inveja do barbudo, que, em uma foto aparecia frente a frente ao Mr. John em pessoa. Puta cara de sorte.

Mesmo quem não curte muito as músicas do grupo, não pode negar que, quase quarenta anos depois do fim da banda, a obra continua causando impacto e influenciando todos que, de uma forma ou de outra, lidam com musica. E pessoas como Malagolli são os responsáveis por apresentarem às gerações que surgem o espetacular trabalho destes quatro cabeludos que continuam causando alvoroço.

Conheçam um pouquinho deste beatlemaniaco, que também ama os Rolling Stones, The Who, Mutantes, etc, etc.

 

Quando começou sua paixão pelos Beatles? Você se julga um fanático?

 Em 1963, um amigo do meu pai trouxe da Inglaterra o compacto simples da musica She Loves You e isso transformou a minha vida, pois era tudo que eu queira ouvir na vida e não sabia onde estava. Não diria que sou fanático, mas que sou um fã, pois “sei dosar” minhas atitudes e comportamentos e tenho um “simancol” em relação a isso, ou seja, quando alguém se sente importunado pelo que falo, eu paro. E não imponho “BEATLES” a ninguém, deixo que as pessoas ouçam e gostem naturalmente.

Quais as outras bandas e artistas você costuma ouvir (incluindo as brasileiras)?

Têm muitas… The Who, que eu considero minha segunda banda, Raspberries, Mamas and Papas, Beach Boys, Rolling Stones, Slade, Budgie, Suzie Quatro, tem muita gente. Das bandas brasileiras eu curto Mutantes, Renato e seus Blue Caps, Incríveis, e algumas outras, mas todas dos anos 60. Hoje em dia acho que o trabalho do Frejat é melhor do que do Barão vermelho – mas isso e gosto meu pessoal – e o restante não consegui curtir muito. Sei que tem o Skank que adora BEATLES, mas o som deles não faz a minha cabeça.

Como fã, já se decepcionou alguma vez com um dos seus ídolos?

Sim, com muitos. Principalmente os brasileiros. Alias acho que os poucos que não me decepcionaram ate hoje foram os BEATLES, o pessoal do Mamas and Papas, em especial o John Phillips, os outros conto nos dedos da mão direita…he he he…

Além de coordenar o fã-clube, você tem outra ocupação? Se não, dá pra viver com o fã-clube?

 Sim, escrevo matérias para jornais do mundo todo – os brasileiros não pagam – para fã-clubes, tenho a banda que não dá pra viver dela, mas ajuda, e trabalho com minha esposa em eventos infantis, por shoppings, clubes, etc.

Existem muitos covers de Beatles espalhados pelo mundo. Qual o melhor e o pior, na opinião de um especialista como você?

 É difícil dizer qual e o melhor. Tem muita gente boa e muita gente que nem fã dos BEATLES é, e quer aparecer em cima deles. Eu diria que se as bandas covers, principalmente as brasileiras, se contentassem em tocar e levar a musica dos BEATLES ao público, isso já seria maravilhoso. Mas vejo uma disputa inútil de “querer ser a melhor” e de que tocou em Liverpool e foi considerada a melhor do mundo, e outras mentiras e baboseiras semelhantes, e isso me deixa chateado, pois percebo que esse pessoal não entendeu a mensagem dos BEATLES … ALL YOU NEED IS LOVE.

Destacaria alguém?

Eu destaco no cenário mundial apenas uma pessoa – o Marcus Rampazzo, que em minha opinião é o melhor guitarrista que toca BEATLES que eu já vi, e ele toca tudo no timbre, no instrumento, ou seja, ele pesquisou, estudou e passou isso para muita gente por ai que hoje se julga “O melhor”…he he he…eu só posso rir com isso, pois igual a ele não tem e o que tinha está do lado de lá (George Harrison). Na verdade existe uma banda cover que eu acho que é imbatível – THE BEATLES.

Você tem uma banda que toca covers. Já pensou em gravar músicas próprias?

 Sim ainda penso, mas não sei se a minha banda gostaria de fazer isso, pois nos reunimos para tocar BEATLES. Creio que para isso eu teria de pegar um pessoal que conhecesse minhas musicas e tivesse a fim de me ajudar. Mas nisso eu também sou chato, pois quando gravo algo meu eu quero tudo do jeito que esta na minha cabeça – não importa se está errado perante aos técnicos, mas foi assim que eu senti a  musica, que eu a criei e não consigo passar isso as pessoas, ou elas executarem como eu quero, daí eu prefiro fazer sozinho.

O que você sente quando esta no palco, tocando Beatles para fãs da banda?

 Todo show e maravilhoso. A emoção de olhar do palco as pessoas cantando junto, chorando, se amando, casais de beijando curtindo o momento, enfim, é muita emoção para mim que estou lá tocando. Imagino o que deve sentir o PAUL McCARTNEY, por exemplo, quando ele canta sua musicas e vê isso no público, afinal, ele canta o que compôs e agente canta o que ele, ou seja, os BEATLES criaram.

Qual a pior coisa que você já viu ou ouviu em termos de homenagem ao grupo?

 Nossa, tem muita banda por aí que no início é meio ruinzinha, mas com o tempo o pessoal vai ensaiando, se aprimorando, e logo vira fera. Tem uns que não tem jeito, mas a maioria com o tempo fica boa. Tudo depende de empenho, estudo, ensaio e vontade de fazer bem feito. Mas o que acho ruim é quando vejo alguém que quer apenas aparecer no meio BEATLES, mas não tem capacidade humana – pode ate ser técnico e tocar bem, mas não passa a emoção deles, nem tem carisma, mas se julga “O BOM”. Isso é muito ruim de ver e ouvir.

Como seria a música pop sem os Beatles?

Creio que a musica existe antes e depois dos BEATLES. Sem eles, ELVIS, Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins, Ray Charles e tantos outros, com certeza hoje estaríamos ouvindo muita coisa ruim.

o homem beatle

Tem alguma história engraçada envolvendo fãs fanáticos?

 Sim… Nas exposições muita gente olha as fotos que estou com o JOHN LENNON e vem me perguntar: ele estava vivo ainda? Fora aqueles que chegam e olham o material que exponho – lógico há um limite de 10 vitrines de 1,00 X 1,00, ou seja, não tem ali nem 1% do que tenho e vem me dizer que tem em casa um disco que eu não tenho exposto ali…he he he…mas eu converso e tento explicar a pessoa que ali não tem quase nada da minha coleção. Uns aceitam outros não, fazer o que? Não que eu tenha tudo, mas ultimamente esta difícil achar algo deles que eu não tenha, e isso ate me deixa meio que frustrado, pois antigamente eu viajava ao exterior e voltava com as malas cheias de material inédito. Hoje em dia, elas voltam vazias.

O sonho, definitivamente,  acabou?

Nunca. Para isso está aí a obra dos BEATLES e as carreiras-solos maravilhosas deles. E lógico, todo um arsenal de rock, desde ELVIS até os dias de hoje….quando o JOHN falou isso, ele se referiu ao sonho dele – OS BEATLES. Mas o tempo esta ai para provar que ele se manifestou errado, pois acabou a criatividade e a união, mas a banda ficará “FOREVER”.

 

(publicado originalmente em janeiro de 2008 no site Drop Music)

 

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