Revelada a verdade que muitos pais desconhecem: seus filhos são seres humanos!

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Desde adolescente trago um ideal no qual me mantenho fiel até hoje. Trata-se da decisão de não trazer mais ninguém a este mundo, ou seja, não desejo ter filhos.

Na época, parte da decisão foi baseada em projeções mostradas por relatórios como o da ONU, que alertava sobre o crescimento populacional versus recursos do planeta para sustentar todo esse povo.

Também foi levado em conta os projetos pessoais, que não seriam concretizados caso eu tivesse sido pais. E olhando em retrospectiva, fico feliz em saber que eu não estava errado.

Mas o assunto ainda me incomoda. Não exatamente por mim, mas pelas situações que mostram o despreparo absurdo de muitos pais em relação aos seus filhos e as consequências na sociedade que vivemos.

Quem você pensa que é pra falar sobre criação de filhos, alguém pode perguntar.

Sou o que se chama de fator externo, que não está envolvido emocionalmente com a situação e pode dar uma opinião neutra, com outro ponto de vista.

E é como elemento neutro que reitero a afirmação de que as pessoas botam filhos no mundo e não sabem o que fazer com eles. Como diria Roger Moreira, no primeiro grande secesso do Ultraje a Rigor: a gente faz filho e não consegue criar (Inútil)

Geralmente, enxergam nos filhos uma extensão de si próprios (no pior dos sentidos) e os direcionam – de forma brutal – para que realizem seus sonhos frustrados ou suas aspirações, esquecendo que ali se encontra um indivíduo, com seus próprios anseios.

Naturalmente, entendo a necessidade de orientação, o que é brutalmente diferente de imposição.

Muitos pais agem como pregadores religiosos, utilizando o medo como ferramenta “educativa”. A tortura psicológica – que pode machucar mais que a física –  é criminosa no sentido humanitário da questão.

 

Educar ou “deseducar” depende do exemplo

Sempre acreditei que a melhor forma de educar é dar bom exemplo. E não apenas da relação entre pais e filhos. Vale para qualquer tipo de interação social.

Dar lugar aos mais velhos, não estacionar em vagas reservadas para portadores de necessidade especiais, parar na faixa de pedestres, cultivar a gentileza por onde quer que vá…enfim, a lista é infinita.

No que cabe ao assunto deste texto, menciono que inúmeras vezes presenciei pais se noção cometendo atitudes duvidosas, com os filhos presentes. Tais atos ficam gravados no subconsciente das crianças, que no futuro cometerão os mesmos absurdos, com o agravante de acreditarem que não estão fazendo nada de errado.

Imagine que tipo de gente está sendo formada para compor nossa futura sociedade.

Superproteção

Considerando a decadência social e o caos que nos cercam, muito pais, na melhor das intenções, cercam seus filhos de proteção, sem raciocinar muito sobre a ingenuidade deste ato.

Como assim, ingenuidade?

Será que é complicado perceber que (um dia, inevitavelmente) os filhos ficarão sozinhos, por sua conta e risco? É difícil chegar à conclusão de que estão criando alienígenas, que serão jogados aos leões, sem nenhum preparo, sem nenhuma arma para se defender?

Ora, façam-me o favor.

Deixem seus filhos quebrarem a cara, de vez quando. Vocês, pais, já cometeram erros? Claro que sim. A lição foi aprendida? Foi bom para o crescimento de vocês? E porque diabos querem privar seus filhos de sabedoria?

 

Carência afetiva

O outro extremo é a falta de atenção dos pais em relação aos rebentos. A tecnologia tem disponível muitas opções, utilizadas para substituir quem deveria estar dando amor e atenção.

Pais não conversam, tão pouco escutam. Querem transferir a responsabilidade para os telefones celulares, tablets, computadores, games e outras tralhas.

Como cresce uma criança deste jeito? Que diabos de referência afetiva ela tem? Que tipo de pai/mãe ela vai ser quando (provavelmente, também de forma irresponsável) tiver seus próprios filhos?

Percebe o buraco negro que estamos entrando?

E não pense que tudo isso é exclusividade das classes menos favorecidas. Muito desse lixo sai das classes abastadas, que enxergam os filhos como investimento e não como seres humanos.

Conheço pessoas que investem muito capital na educação dos filhos e exigem, de forma arbitrária, que sigam o caminho que lhe foi determinado.

Tem que ser doutor!! Tem que ter status!! Tem que ser como eu! O que você pensa não me interessa.

O mais curioso é que, justamente onde se pensa que a dificuldade é maior – por puro preconceito – surgem magníficos exemplos de criação equilibrada e coerente, onde os filhos falam e os pais escutam. Onde é ensinado respeito, honestidade e empatia.

 

É possível mudar o cenário?

Para os que pretendem ter filhos, cabem algumas reflexões críticas, deixando de lado o egoísmo:

  • Vale mesmo a pena trazer mais alguém para esse planeta, que já está beirando os nove bilhões de pessoas?
  • Vou ter condições e – principalmente – disposição para dar-lhes amor, afeto e atenção?
  • Por que, exatamente, eu quero ser pai/mãe?

Para os que já possuem seus rebentos, pratiquem a empatia. Imaginem seus filhos como aquele funcionário novo, que precisa de orientação quando entra na empresa.

Seus filhos precisam de amigos que possam confiar. Eles têm sonhos, como vocês já tiveram um dia. Eles precisam se amor, não de medo. Eles precisam falar, não apenas escutar.

Superproteção e descaso são extremos que só trazem desastre. Não seja ingênuo ou estúpido ao pensar que seus filhos devem alcançar a perfeição que você próprio não alcançou. Nem você e nem ninguém!!

 

Deixe seus filhos tropeçarem ou atém mesmo despencarem no chão, mas esteja próximo para ajudar a limpar as feridas.

Por mais absurdo que lhe possa parecer, ouça seus filhos, não apenas escute. Entenda o que eles pensam. Pondere, sugira, mas não imponha.

Lembre-se que eles não têm culpa de estarem aqui. A (ir)reponsabilidade é totalmente de quem os gerou.

A família é a base de tudo. Pense no tipo de pessoa que seus filhos serão caso você adote um dos extremismos citados.

Se você realmente os ama, procure o equilíbrio e seja lembrado, quando a vida terrena lhe for extinta, como a pessoa mais importante que passou em suas vidas.

Essa é a melhor herança que você pode deixar.

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