Os beijos na bunda de Paul McCartney

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Prestes a lançar um novo álbum – Egypt Station – com previsão de lançamento no dia sete de setembro de 2018, Paul McCartney, que completou 76 anos no dia dezoito de junho, continua sendo um dos artistas mais influentes e queridos do universo na música.

Vamos lembrar um artigo antigo, que comentou sobre o lindo álbum  Kisses on The Button, de 2012. Uma preciosidade onde o ex-Beatle resgata sucessos da época em que ele ouvia rádio na fria Liverpool dos anos 40. E aproveite os links para ouvir algumas preciosidades citadas neste texto.

 

 

 

Eu tenho um certo problema com Paul McCartney. Quando acontecem coisas que me dão certeza que o ser humano é apenas um verme desprezível, uma grande burrada de deus, eis que me lembro que ele (Paul) existe.

Daí eu ouço For No One,Here, There and Everywhere, Another Day e tantas outras e, sabe o que acontece? Meu ódio pela humanidade abranda e chego até pensar que o mundo tem esperanças. Esse efeito poucas pessoas causam em mim. Paul McCartney, a pessoa, o artista, é uma delas.

Depois de cinco anos sem álbum de estúdio (o último foi Memory Almost Full), o ex-Beatle lança um CD com repertório e títulos inusitados. Kisses On The Buttom, que pode ser traduzido como beijos na bunda, tem a proposta de resgatar antigas canções que tocavam nas rádios na década de 40 e que o garotinho bonitinho da foto mais abaixo cresceu ouvindo no rádio da família.

 

 

 

Quando os Beatles lançaram o White Album, a faixa Honey Pie foi gravada com ar de vaudeville, o teatro de revista que era sucesso no início de século XX. Isso foi uma amostra de como a sonoridade jazzistica foi importante para o inglês. Kiss on The Button é um resgate de várias músicas da época mas com uma diferença fundamental do que já foi feito por astros como Rod Stewart.

As canções não são óbvias. É claro que Paul poderia ter regravado Cheek To Cheek, grande sucesso na voz de Fred Astaire. Mas, ao invés desta, ele desenterrou I’m Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter, obscura mas não menos deliciosa. Aliás, foi do trecho da letra desta faixa que veio a idéia para o título do álbum.

 

 

 

Os músicos que o acompanham nesta empreitada são de primeira grandeza. Do lendário produtor Tommy LiPuma – que já trabalhou com monstros sagrados como George Benson, Natalie Cole, Al Jarreau e Miles Davis – passando pela pianista Diana Krall (cuja a versão de Just The Way You Are me arranca lágrimas sempre que ouço), até o genial John Pizzarelli,  o virtuoso guitarrista de jazz fã dos Beatles (procure ouvir John Pizzarelli Meets The Beatles, lançado em 1998).

 

O álbum tem ainda duas novas canções que podem não figurar entre suas melhores composições mas se encaixam perfeitamente ao lado das regravações como Always, de Irving Berlin, e More I Cannot Wish You, de Frank Loesser. Me refiro a My Valentine, com a participação de Eric “God” Clapton no violão, e Only Our Hearts, com a marcante harmônica (ou gaita, como queiram) de Stevie Wonder, que ficaria perfeita na voz de Frank Sinatra ou Dean Martin.

 

No fim das contas, Kisses on The Bottom é um disco delicioso, indicado para ouvir na penumbra, bebericando um vinho, perfeito para esquecer (momentaneamente, pelo menos) que o mundo está um lugar cada vez pior para se viver.

 

 

1 comentário


  1. Olá, caí aqui por outros motivos, mas acabei lendo alguns textos e achei seu blog interessante e bem-escrito. Por isso mesmo vou apontar um errinho que você deixou passar: o nome do CD está grafado errado em várias das ocorrências. Pode apagar o comentário depois – não achei outra forma de entrar em contato. Abraços

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