Metamorfoses

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Encontrei livros empoeirados debaixo dos montes de entulho

Persegui borboletas mortas e radioativas, acreditando ainda na beleza de suas cores

Eu chorei lágrimas de puro sal sob as tempestades mais aterrorizantes

Fechei os olhos para adormecer sentindo o chão tremer

A dor da gente é sempre uma guerra

Há morte, há terror e medo

Não se enxerga um palmo à frente e cada passo é um risco

Tudo pode desabar

Mas eu saí viva de dentro das ferragens e levantei os olhos para o céu

Ouvi a melodia dos sinos ao longe

Eu renasci

Porque toda dor é uma quase morte

A gente é soterrado para depois emergir, devagarinho, de joelhos, as mãos sujas, a boca seca, em busca de um raio de sol, que seja

Eu construí castelos de areia de construção

Pintei um muro com meu sangue vermelho queimado

Fiz de um grito no escuro, poesia

Porque toda dor vira arte quando parte

E a gente vira artista, se não quiser virar morte

Eu escrevi diários de guerra e fiz da tristeza, arma

Aos poucos, me reconstruí até não mais restar vestígios de uma guerra violenta bem aqui dentro de mim

Porque toda guerra tem seu fim

E todo fim, seu recomeço.

 

(NR)

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